• Dæmon S.@catodon.rocks
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    13 hours ago

    Se os smartphones e redes sociais são prejudiciais às crianças e adolescentes, ao ponto que sua remoção do ambiente escolar traz benefícios rapidamente observáveis, me pergunto o porquê de não estender isso para o restante da sociedade (adultos), isto é, eliminar smartphones e redes sociais da face da Terra.

    Afinal, se os smartphones e redes sociais são prejudiciais às crianças e adolescentes, e certamente são, por quê não o seriam para os adultos?

    Eu sei, supostamente adultos são capazes de “tomada de decisão” (tendo, por exemplo, o giro frontal totalmente formado), ao ponto de smartphones e redes sociais não terem o mesmo dano aos adultos… No entanto, esse argumento cai por terra quando vemos como fez-se necessário, por exemplo, o Brasil (na figura do Ministério da Fazenda) intervir e exigir um aviso/disclaimer para bets e casas de apostas, uma vez que adultos, supostamente capazes de tomada de decisão, estão se deixando levar pelas falsas promessas de “tigrinho”. Por que, então, só as crianças e adolescentes vêm à baila quando discute-se proteção dos malefícios da tecnologia moderna?

    Por outro lado, olho pra mim e não consigo não questionar a premissa anterior, de que “redes sociais” são a oitava praga do Antigo Egito. Hoje eu tenho 31 anos, mas me lembro como se fosse ontem quando aos 8 comecei a “brincar” com um computador e pavimentar boa parte do conhecimento que tenho hoje, incluíndo (mas não limitado a) programação. Quero dizer, aos 9 anos eu literalmente estava escrevendo códigos em Javascript, e foi parte do que me levou à área de T.I…

    Fico pensando, se todas essas coisas, “verificação de idade/ECA DIgital”, proibição de uso de computador para crianças, etc, se existissem essas coisas na época que eu tinha 8 anos de idade: eu não teria me tornado programador, talvez eu já até tivesse me matado considerando como o computador era, no final das contas, o refúgio pro bullying que eu sofria na escola… Esse último ponto, inclusive, me leva a uma discussão raramente feita: como as redes sociais, que têm o perigoso potencial de levar crianças a cometer suicídio (como o caso recente do Discord), também podem funcionar como uma espécie de canal de comunicação/proteção para crianças que estão sendo abusadas (não apenas no sentido sexual, mas também psicológico, moral, verbal, etc) foras das telas, dentro de seus próprios lares por pais e familiares, e/ou de suas próprias escolas por colegas e professores. E o mesmo acaba servindo para adultos; por exemplo, esposas de policiais vítimas de agressão doméstica e talvez pudessem ter nas redes sociais uma forma de denunciar o policial agressor sem que ele desconfie/descubra (mas a deanonimização que ECA DIgital implicitamente exige acaba “dando com a língua nos dentes” que a mulher está denunciando o policial).

    !tecnologia@lemmy.eco.br